Presidente do Paraguai renuncia após crise bancária que deixou milhões sem acesso ao dinheiro
Santiago Peña anunciou saída do governo em meio ao colapso do Ueno Bank, investigações financeiras e avanço de processo de impeachment no Congresso
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, de 47 anos, anunciou nesta quinta-feira (5) sua renúncia ao cargo em meio a uma grave crise financeira e política provocada pelo colapso do Ueno Bank. A instituição, que atende aproximadamente 3 milhões de clientes, teve suas operações suspensas após intervenção do Banco Central paraguaio, deixando correntistas sem acesso imediato aos recursos depositados.
A saída de Peña foi anunciada enquanto o Congresso avançava com um processo de impeachment contra o mandatário, que perdeu apoio inclusive dentro do próprio Partido Colorado. A Câmara dos Deputados aprovou o julgamento político, ampliando a pressão sobre o presidente.
Crise bancária provocou revolta e investigação
A crise começou após o Banco Central identificar graves problemas de solvência no Ueno Bank, incluindo irregularidades relacionadas a operações financeiras e empréstimos. A intervenção atingiu milhões de clientes e também recursos públicos mantidos na instituição, incluindo valores ligados à Previdência Social paraguaia.
O episódio provocou protestos em Assunção, manifestações de correntistas e cobranças por medidas urgentes para garantir a devolução dos depósitos. Oito pessoas ligadas ao banco foram detidas durante as investigações.
Vínculos empresariais ampliaram pressão sobre Peña
A crise ganhou dimensão política após a divulgação de que Santiago Peña havia sido acionista do grupo controlador do Ueno Bank até março de 2025.
A oposição passou a questionar possíveis conflitos de interesses e a atuação do governo diante dos problemas da instituição financeira. As denúncias também envolveram suspeitas sobre a destinação de recursos públicos e a fiscalização do sistema bancário.
O caso contribuiu para o enfraquecimento político do presidente e para a perda de apoio de integrantes de sua própria legenda.
Renúncia abre caminho para sucessão presidencial
Em comunicado divulgado nas redes sociais, Peña afirmou que tomou a decisão pensando na estabilidade do país, na paz social e na preservação das instituições democráticas.
A renúncia, entretanto, depende de formalização pelo Congresso paraguaio. Caso seja aceita, o vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir o comando do país e concluir o mandato presidencial.
A crise do Ueno Bank se transformou em um dos maiores episódios de instabilidade política e financeira recentes do Paraguai, colocando em evidência os desafios de recuperação dos recursos dos correntistas e de responsabilização dos envolvidos.
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